O Facebook (2)

Funcionamento e recursos

Facebook na versão móvel

Soldado britânico usando o Facebook

O website é gratuito para os usuários e gera receita proveniente de publicidade, incluindo banners, destaques patrocinados no feed de notícias e grupos patrocinados (cujas cotas seriam de mais de 1,7 milhão de dólares por semana em abril de 2006, segundo rumores). Usuários criam perfis que contêm fotos e listas de interesses pessoais, trocando mensagens privadas e públicas entre si e participantes de grupos de amigos. A visualização de dados detalhados dos membros é restrita para membros de uma mesma rede ou amigos confirmados. De acordo com o TechCrunch, 85% dos membros dos colégios suportados têm um perfil cadastrado no website e, dentre eles, 60% fazem login diariamente no sistema, 85% o faz pelo menos uma vez por semana e 93% o faz pelo menos uma vez por mês. De acordo com Chris Hughes, porta-voz do Facebook, as pessoas gastam em média 19 minutos por dia no Facebook. Em um estudo conduzido em 2006 pela Student Monitor, uma empresa especializada em pesquisas de mercado relacionadas a estudantes universitários de Nova Jérsei, concluiu que o Facebook foi o segundo nome mais “in” entre os estudantes, empatado com cerveja e sexo e perdendo apenas para iPod.

Mural

O Mural é um espaço na página de perfil do usuário que permite aos amigos postar mensagens para os outros verem. Ele é visível para qualquer pessoa com permissão para ver o perfil completo, e posts diferentes no mural aparecem separados no “Feed de Notícias”. Muitos usuários usam os murais de seus amigos para deixar avisos e recados temporários. Mensagens privadas são salvas em “Mensagens”, que são enviadas à caixa de entrada do usuário e são visíveis apenas ao remetente e ao destinatário, bem como num e-mail. Em julho de 2007 o Facebook, que só permitia posts de textos, passou a permitir postagem de anexos no mural.

Presentes

Em fevereiro de 2007 o Facebook adicionou um novo recurso de “Presentes” (gifts) em seu site. Amigos podem dar presentes — pequenas imagens desenhadas por Susan Kare, ilustradora que desenha os ícones da Apple Inc. — a outros escolhendo uma das lojas de presentes virtuais do Facebook e adicionando uma mensagem. Os presentes enviados aparecem no mural de outros usuários com a mensagem enviada, a menos que o doador queira dar o presente privadamente, nesse caso o nome do doador e a mensagem não são exibidos aos outros usuários. Além disso, todas os presentes, incluindo os privadas, são exibidas em uma caixa no perfil chamada caixa de presentes (gift box), junto do nome do doador ou da palavra Privado para presentes privados.

Assim que se registram no site, os usuários do Facebook ganham uma presente gratuito para dar a quem quiser. Cada presente adicional pode ser comprado na loja de presentes virtuais do Facebook por 1 dólar. A primeira seleção de presentes disponíveis teve como tema o dia dos namorados e 50% da receita líquida recebida em fevereiro de 2007 foi doada à instituição de caridade Susan G. Komen for the Cure. Após fevereiro, a doação deixou de ser feita. Pouco depois, o Facebook passou a disponibilizar novos presentes a cada dia, a maioria das quais tinham quantidade limitada de tempo e venda.

Com a chegada das Aplicações, surgiu uma nova forma de presentear com os presentes sem a necessidade de se pagar 1 dólar, porém, as da aplicação “presentes gratuitos”, criadas por Zachary Allia, não são semelhantes às oficiais, além de serem exibidas de maneira diferente.

Botão “Curtir/Gostar”

O botão de “curtir/gostar” é um recurso onde os usuários podem gostar de certos conteúdos, tais como atualizações de status, comentários, fotos, links compartilhados por amigos, e propagandas. É também uma característica da Facebook Plataform, que permite aos sites participantes a exibirem um botão que permitem o compartilhamento de conteúdo do site com os amigos. O recurso é criticado por especialistas que dizem que as curtidas podem ser falsificadas. Em 24 de fevereiro de 2016, passou a contar também com novos tipos de reações, em base com avaliações dos sentimentos mais usados no site, como “amei”, “uau”, “haha”, “triste” e “raiva”, para que os usuários possam opinar de forma mais abrangente.

Em 2020, foi lançada a reação “Força”, que foi criado como forma de apoio entre usuários que foram impactados com a Pandemia de COVID-19.

Marketplace

Em maio de 2007, o Facebook introduziu o Facebook Marketplace, permitindo aos usuários publicar classificados gratuitamente dentro das seguintes categorias: For Sale (à venda), Housing (imóveis), Jobs (emprego) e Other (outros); e podem ser postados em diferentes formatos.

Cutucar/Toque

O Facebook adicionou um recurso chamado “Cutucar” (Brasil) ou “Toque” (Portugal) (em inglês: Poke) para que os usuários enviem “cutucadas” uns aos outros. Segundo o FAQ do Facebook, uma cutucada é “uma forma de você interagir com seus amigos no Facebook. Quando criamos a cutucada, achamos que seria interessante ter um recurso sem qualquer finalidade específica. As pessoas interpretam a cutucada de muitas maneiras diferentes, e nós encorajamos os usuários a interpretá-la com seu próprio significado”. A princípio, ele se destina a servir como uma forma de chamar a atenção do outro usuário. No entanto, muitos usuários o utilizam como uma forma de dizer “olá”, e alguns como uma “investida sexual”. Há muitas aplicações, tais como X Me” e SuperPoke!, que permitem ao usuário enviar qualquer ação no lugar da palavra “poke“.

Status

O recurso “status” permite aos usuários informar a seus amigos e a membros de sua comunidade coisas que acha interessante, como vídeos, fotos e links. Atualizações de status estão disponíveis na sessão atualizações recentes de toda sua lista de amigos.

Eventos

Os Eventos são uma maneira para que os membros informem seus amigos sobre os próximos eventos em sua comunidade, para organizar encontros sociais ou simplesmente para dizer o que está sentindo no momento.

Aplicativos

Em 24 de maio de 2007, o Facebook lança o Facebook Plataform, na qual prevê o framework para desenvolvedores criarem aplicações que interajam com os recursos internos do Facebook. Até jogos como xadrez e scrabble estão disponíveis. Em 5 de dezembro de 2007, mais de 10.000 aplicações já estavam disponíveis. Em 4 de julho de 2007 surge a Altura, primeira empresa do mundo de capital de risco voltada ao Facebook. Em 29 de agosto de 2007, o Facebook alterou a forma com que a popularidade das aplicações são medidas a fim de dar mais atenção às aplicações mais envolventes, seguindo críticas de que um ranking de aplicações apenas por número de usuários gerava vantagem para as absolutamente virais. Os desenvolvedores usam uma API baseada na interface REST que utiliza HTPP, permitindo grande interação de informação entre o aplicativo e os perfis dos membros. Os desenvolvedores utilizam o Facebook Query Language (FQL), derivado do SQL, e também o Facebook Markup Language (FBML), derivado do HTML.

Facebook Video

Enquanto o Facebook lançava sua plataforma, ele também lançou uma aplicação onde se pode partilhar vídeos dentro do Facebook. Os usuários podem adicionar vídeos por meio de um arquivo do computador, adicionando diretamente do telefone celular através do Facebook Móvel ou utilizando um recurso de gravação direta de uma webcam. Além disso, pode-se “taggear” seus amigos nos vídeos. Este recurso surgiu devido à concorrência com o MySpace. No entanto, o Facebook Vídeo não permite compartilhar vídeos fora do Facebook nem baixar ou exportar os vídeos enviados. Para suprir a necessidade de baixar os vídeos, um texto para Greasemonkey publicado no Userscripts.com, cumpre esta função. Em agosto de 2015, o Facebook lançou a ferramenta ‘Live Mentions’. Pessoas públicas da rede social podem agora realizar conversas ao vivo (as famosas ‘lives’), enquanto os fãs comentam, compartilham e curtem. Após o término da conversa ao vivo, o vídeo é publicado na linha do tempo da página.

Facebook Messenger

Em 9 de agosto de 2011 o Facebook lançou o Facebook Messenger para celulares Android e iOS, com uma atualização em 11 de outubro do mesmo ano para BlackBerry. Sua funcionalidade foi desagregada do Facebook oficial para aplicação móvel, permitindo conversar mensagens a serem enviadas e recebidas com notificações. O Facebook Messenger para Windows Desktop foi “oficialmente”, lançado em 5 de março de 2012 para Windows 7. O teste do software começou entre um grupo limitado de beta-testers em 21 de novembro de 2011, no entanto, um link que vazou para a beta estágio software foi publicamente revelado para blogueiros de tecnologia do TechIT, blogue israelense. O Facebook respondeu no mesmo dia, ao anunciar a disponibilidade do link através do seu Centro de Ajuda.

Em memória de

O Facebook vem implementando aos poucos nos perfis de pessoas falecidas a seguinte descrição “Em memória de”, acompanhado do nome do usuário. Perfis de pessoas que estão mortas trazem recordações e saudades para amigos e entes queridos, que ainda postam mensagens de carinho em datas de aniversário.

Facebook Gaming

Facebook Gaming ou fb.gg é a versão do Facebook para transmissões ao vivo de jogos, onde jogadores e fãs interagem. Foi lançado oficialmente em 1º de junho de 2018 como parte do Facebook e também com um aplicativo independente.

Críticas e controvérsias

Graffiti de Mark Zuckerberg em BerlimAlemanha; a legenda se refere ao romance Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, de George Orwell.

Facebook tem recebido inúmeras críticas principalmente por denúncias de que teria colaborado com o programa de vigilância eletrônica conhecido como PRISM, da Agência de Segurança Nacional estadunidense conhecida como NSA.

Apesar dos documentos revelados por Edward Snowden comprovarem a participação tanto do Facebook como de outras empresas, nos programas de vigilância, elas negam que houve colaboração.

A Microsoft, por exemplo, afirmou que só cede dados ao governo sob ordem judicial. Apesar dos documentos revelados apontarem para a colaboração das empresas, apos as denúncias, a mesma resposta da Microsoft foi dada pelas outras empresas envolvidas. Elas alegam também que apenas fornecem informação de seus usuários através de ordem judicial.

Todas as empresas como Google e Facebook negaram que tenham colaborado com a coleta de dados para o Prism, o programa secreto de monitoramento de e-mails, chats e buscas da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos. O jornalista estadunidense Glenn Greenwald, que tem acesso a todos os documentos secretos que revelaram um complexo mecanismo de espionagem dos usuários dos serviços de nove grandes empresas estadunidenses afirmou que não usa Facebook, e sim o Skype somente em casos de extrema necessidade, quando não há alternativa. Segundo Greenwald, apos avaliar os documentos, ele prefere não se arriscar.

O programa com o qual Facebook teria colaborado faz parte dos programas de Vigilância global executados pela Agência de Segurança Nacional estadunidense, NSA e revelados por Edward Snowden e inicialmente publicados pelo jornalista Glenn Greenwald no jornal britânico The Guardian. O Prism permitiria ainda que os dados dos usuários das empresas participantes, no caso usuários do Facebook, fossem armazenados indefinidamente nos computadores da NSA nos Estados Unidos, sendo estrangeiros os principais alvos, mas incluindo também estadunidenses estando ou não nos Estados Unidos. O programa denominado PRISM fornece à NSA diversos tipos de mídia dos usuários do Facebook e de outras empresas. Entre os dados coletados estão correio eletrônico, conversas por áudio e por vídeo, vídeos, fotos, conversações usando voz sobre IP, transferências de arquivos, notificações de login e outros detalhes pertinentes a redes sociais. A participação do Facebook no programa tem sido alvo de criticas mundiais. Os documentos da NSA que vieram a público através de Edward Snowden, apontam para nove das grandes corporações estadunidenses e serviços de Internet como participantes do vigilância com a NSA: Yahoo!, Apple, YouTube, AOL, Paltalk e Skype são participantes dos programas da Agência de Segurança Nacional estadunidense, NSA.

O jornal The Washington Post apontou ainda que documento vazado por Edward Snowden mostra que o programa PRISM é “fonte primária de inteligência usada nos relatórios de análise da NSA”. Outro programa da NSA, o XKeyscore, é o programa mais abrangente do serviço secreto estadunidense, que permite interceptar qualquer atividade online.

Com relação ao Facebook, controvérsias também resultam de inúmeras outras questões também ligadas à privacidade dos usuários do Facebook, incluindo questões ligadas a roubo de identidade, segurança de crianças que podem ser facilmente vigiadas por predadores tendo acesso inclusive a fotos. Ha também casos de indivíduos usando falsas identidades para intimidar, chantagear, obter dados de pessoas e outros casos semelhantes. Criticas se expandem também sobre a incapacidade de encerrar contas sem que o Facebook mantenha os dados pessoais do usuário para a companhia Facebook, mesmo quando o usuário apaga sua conta. Em 2008, muitas empresas removeram sua publicidade do site. O Facebook também foi processado várias vezes.

Em 2010, a Electronic Frontier Foundation demonstrou que qualquer pessoa poderia ter acesso a informações salvas em um perfil no Facebook, mesmo que a informação não se destinasse a ser pública. Facebook tem fornecido voluntariamente informações de seus usuários em resposta a solicitações de governos e autoridades locais, estaduais e federais, para investigar pessoas, crimes, determinar localização de indivíduos, provar ou refutar álibis e revelar comunicações.

Cambridge Analytica

Em 10 de abril de 2018, após escândalo envolvendo o acesso e uso indevido de dados de aproximadamente 87 milhões de usuários pela empresa Cambridge Analytica, Mark Zuckerberg compareceu ao Senado dos Estados Unidos para prestar esclarecimentos e responder a perguntas e acusações sobre a política de privacidade a qual são submetidos os usuários da plataforma, as ferramentas de proteção de dados e ações para evitar falsas notícias, em especial aquelas com viés político e eleitoral. Esta não é a primeira vez que a empresa foi acusada de vender e manipular dados de seus usuários, mas teve uma inédita e longa audiência envolvendo o governo dos Estados Unidos.

Produto da Cambridge Analytica e do Facebook.

Zuckerberg assumiu o uso indevido das informações de usuários pela Cambridge Analytica, porém reafirmou que em nenhuma hipótese o Facebook realiza a venda de dados de seus usuários. Confirmou a utilização de todo o conteúdo para fins publicitários com o objetivo de “melhorar a experiência do usuário”. Sobre manipulação do conteúdo, Zuckerberg reforçou em todas as vezes em que foi questionado que o Facebook defende a política de exclusão de qualquer compartilhamento que tenham conteúdo que instiguem violência, terrorismo, nudez e outros conteúdos considerados inapropriados.

Os termos de uso do Facebook foram duramente criticados pelos senadores sob o argumento de que não são suficientemente claros aos usuários dado à sua extensão e complexidade jurídica. Zuckerberg manteve o posicionamento de que todas as informações da plataforma são geradas exclusivamente pelos usuários, que possuem total autonomia e liberdade para excluí-las a qualquer momento e/ou delimitar o grau de sua utilização. Senadores chegaram a acusar o presidente do Facebook de tentar enganar os usuários e solicitaram que todos os termos de uso fosse reescritos “in a clear English”.

Em junho de 2018, outro app do Facebook expõe 120 milhões de usuários de forma acidental. O pesquisador Inti De Ceukelaire reportou ao programa de recompensa de abuso de dados do Facebook uma falha no site por trás do app. Após responder ao quiz no NameTests, ele reparou que o site NameTests.com estava obtendo as informações por meio de uma URL que continha seus dados e estava aberto a qualquer pessoa na internet.

Impacto

Social

Facebook na ad:tech em Londres em 2010.

Como rede social, o Facebook permitiu a conexão entre pessoas que já não mantinham contato há muitos anos.

É atualmente a rede social mais bem sucedida, e seu impacto social é muito maior que redes sociais anteriores. David Kirkpatrick, jornalista e autor do livro The Facebook Effect (“O Efeito Facebook”), o Facebook foi estruturado de forma de que é difícil surgir uma nova rede social capaz de competir com o Facebook. De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center, cerca de 44% da população estadunidense obtinham notícias a partir da rede social. Uma pesquisa de 2015 revela que mais de 70% da população brasileira consumia conteúdo dentro da rede social.

Emocional

Estudos tem mostrado que o uso do Facebook podem causar efeitos negativos da autoestima de seus usuários ao provocar sensações de inveja e de que estão sozinhos. Uma pesquisa da Universidade de Utah descobriu que estudantes universitários sentiam-se pior sobre suas próprias vidas após gastarem mais tempo no Facebook.

Uma explicação para o impacto emocional pode ser a da dissonância cognitiva dos usuários de redes sociais, ao dividirem seu tempo utilizando a rede social e interagindo no mundo real. Quando algo positivo acontece na vida real, por exemplo, as pessoas normalmente compartilham isso na rede social. Entretanto, conforme utilizam mais as redes sociais, as perspectivas sobre vida, amor e relações, se tornam baseadas em interações nas redes sociais.

Político

Cartaz que faz alusão ao Facebook durante a Revolução Egípcia de 2011.

Durante a Primavera Árabe, vários veículos de comunicação afirmavam que redes sociais como o Facebook tinham um impacto na Revolução Egípcia de 2011. A página de Facebook “We are all Khaled Said” (Nós somos todos Khaled Said), criada por Wael Ghonim, recebeu bastante atenção dos egípcios, e começou a organizar movimentos revolucionários.

 Acesso a redes sociais como Facebook, Twitter e Youtube chegaram a serem bloqueadas no país em 26 de Janeiro de 2011, durante os protestos. Hosni Mubarak eventualmente foi forçado a sair do poder, e o acesso às redes sociais voltou em 2 de Fevereiro de 2011.

Brasil

Lançado em território brasileiro em 2008, o uso das redes sociais como o Facebook também teve impacto no país. Em 2013, os protestos no Brasil foram bastante divulgados em redes sociais, e vários momentos foram organizados dentro de redes sociais. Páginas de manifestação e política convocavam as pessoas a participarem de encontros em vários municípios do Brasil a partir de páginas do Facebook e anúncios, que fez com que o termo “Manifestação” fosse o mais comentado do ano na rede social.

Durante as eleições de 2014 para Presidente, o uso das redes sociais se tornou um importante veículo de comunicação entre os políticos e seus potenciais eleitores. Durante um debate entre os presidenciáveis, usuários do Facebook tiveram mais de 346 milhões de interações, entre “curtidas”, compartilhamentos e outras publicações.

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